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terça-feira, 20 de setembro de 2011

À Igreja de Cristo

Quando o Senhor nos chama para servi-lo, transforma as nossas vidas - a vida inútil a qual o apóstolo Paulo declara que levávamos - e concede, graciosamente, no batismo, a dádiva do Espírito Santo pelo qual recebemos a aprovação de Deus, a testemunha que nos garante a salvação, oferecida pelo único nome dado entre os homens para nossa redenção: Jesus Cristo.
Eis a nova vida, o novo olhar sobre o mundo! Sabemos que essa vida na graça que desfrutamos não recebemos por mérito, tampouco, necessitamos fazer algo para merecê-la. Pelo amor, o grande e infinito amor de Deus, é que ganhamos a bênção de participar da Igreja Santa de Cristo - a pedra angular - revestidos dEle, enviados para testemunhar e proclamar o evangelho.
Muitos de nós, quando se fala em missões, pensamos ser preciso abdicar do nosso suposto conforto, abandonar a família, viajar para a África (ou qualquer outro local com necessidades especiais), capacitar-se teoricamente... Não queremos com isso dizer que é o caminho errado, ou desnecessário, contudo, é preciso também lembrar que Jesus quando enviou os setenta alertou que a palavra seria posta em suas bocas! Ora se cremos no Espírito Santo de Deus, o qual nos capacita e envia, cremos também na sua inspiração: as oportunidades de testemunhar com a nossa própria vida: a vida útil e feliz para a qual fomos chamados.
Quando Cristo disse, no sermão da montanha, que devemos ser o sal (o qual dá sabor ao alimento além de conservá-lo), e a luz (com a qual revelam-se obstáculos, aponta o caminho, realça a beleza e dá segurança). Dessa forma, como o sal dá sabor, e a luz ilumina. Todo nosso ser: palavras, atitudes e gestos, revelarão a maneira graciosa como Deus nos amou, mesmo que não sejamos merecedores desse amor.
Muitos de nós também se enganam quando não entendem a predestinação: ora se Deus já preparou e escolheu de antemão para que, então, devemos evangelizar? Continuemos a viver as nossas vidas: frequentar os cultos, a escola dominical! Irmãos, enganamo-nos! Porque fomos chamados para servir, separados, convocados para o bom trabalho do Senhor: os bons administradores da fé, dos dons. A Bíblia também nos alerta: o dom é concedido para o corpo, não para si, para seu próprio benefício, mas sim, do outro, do corpo. Aprendi uma lição preciosa com um autor russo, Dostoiévski: "Devemos ser para outro o que Deus é para nós", será que é preciso acrescentar algo?
Se afirmamos que Deus é bom, o que devemos ser para o outro? Talvez, para alguns, o “silêncio” divino significa ausência, falta de zelo, desamor... Todavia, reflitamos: quando recebemos o abraço e o beijo sincero circundado de amor do outro, a mão estendida, o ombro pré-disposto a amparar, quem toma tais atitudes faz por recompensas do céu? Por gratidão a Deus pela bênção de participar da mesma família? Ou pelo amor fruto do Espírito Santo (Gl 5)?
A boa notícia do Evangelho precisa ser testemunhada por aqueles que usufruem da sua maravilhosa e santa influência. Nós, cristãos, somos chamados pelo Senhor para mostrar ao mundo que o grande obstáculo do pecado impede o pecador de receber a vida eterna; e que em Cristo obtemos o único caminho pelo qual somos conduzidos a Deus; eis a única maneira de se viver tranquilo neste mundo, porquanto depois desta vida desfrutaremos da presença plenificadora de Deus.
Sejamos para o outro aquilo que o Senhor tem sido para nós desde antes da nossa existência: todo amor!
Shalom Adonai!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cristo: Esperança nossa

Estimados amigos e irmãos em Cristo,

Hoje, pela manhã, enquanto estava no ônibus, meus pensamentos foram tomados pela passagem bíblica acerca do encontro de Simão Pedro, na praia, com Cristo. Depois de todos os acontecimentos da semana da paixão, discípulos e apóstolos regressaram às suas antigas ocupações; afinal, a esperança findou com a morte de Jesus Cristo na cruz! A única esperança, a última esperança, padecera vergonhosamente. A morte era o fim dos sonhos, de um futuro melhor!

Quantos de nós, quando olhamo-nos a nós mesmos, enxergamos um rosto derrotado e abatido, sem motivos para prosseguir?

Alvoreceu, não houvera sucesso na pesca noturna, rostos desanimados... Certamente, voltar à rotina, depois de conhecer o Messias, não era, de fato, uma escolha fácil. "...antes que o galo cante, você dirá três vezes que não me conhece." (Jo 13.38) Tal afirmação devia suscitar, a todo instante, os pensamentos de Pedro. Não havia como não lembrar: os dias de ventura e de alegria ao lado do Mestre, as palavras de sabedoria, o amor, os milagres, a multidão...

O medo, o medo fê-lo negar, não haveria perdão: tudo estava consumado! Era o fim.

Eis que surge a manhã. "Peço que todas as manhãs tu me fales do teu amor, pois em ti eu tenho posto a minha confiança. As minhas orações sobem a ti; mostra-me o caminho que devo seguir!" (Sl 143.8) No horizonte, a cem metros da praia, João avista: "É o Senhor Jesus!" E num ímpeto, Pedro vestiu-se, apressadamente, e lançou seu corpo às águas rumando à praia. Tudo mudaria a partir daquele encontro.

Deliciaram-se com os pães, os peixes e a companhia de Jesus. Ao fim Jesus indagou: "— Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros me amam? — Sim, o senhor sabe que eu o amo, Senhor! — respondeu ele. Então Jesus lhe disse: — Tome conta das minhas ovelhas!" Ainda por mais duas vezes indagou. No texto original grego, sabemos que Cristo inquiriu Pedro a respeito do amor divino, o qual conhecemos como "ágape" (o amor de Deus pela sua criação, pelo qual entregou Cristo para nos salvar e remir); no entanto, nas respostas dele, afirmava o amor "filos" - o qual conhecemos como o amor amigo - reproduziríamos a ideia com o "gostar". Esse era o amor que poderia oferecer naquele instante, era o que conhecia! Apenas no Pentecostes, na decida do Espírito Santo, ele compreenderia e sentiria o amor, o amor ágape, o sublime amor de Deus e sobre o qual anunciaria e viveria na confiança plena da vida eterna.

A inquirição de Cristo, remete-nos ao episódio do olhar de Jesus a Pedro depois de o ter negado: haveria perdão para um traidor? Naquele momento, a insistência de Jesus seria traduzida pela palavra: PERDÃO! Ainda que Pedro se sentisse imperdoado e distante da compreensão do seu Mestre. Ainda que para a lei houvesse o castigo. O amor bradou com uma voz mais forte: Tome conta das minhas ovelhas! Eis a esperança revolvida: o caminho para o qual deveria seguir estava posto diante de seus olhos; a vida de pescador ficaria, definitivamente, para trás.

E eis a mensagem com o qual deparamo-nos quando olhamos para a cruz de Jesus:

Não sei por que de Deus o amor
A mim se revelou,
Por que Jesus, o Salvador,
Na cruz me resgatou.

Mas eu sei em quem tenho crido,
E estou bem certo que é poderoso
Pra guardar o meu tesouro
Até o dia final.

Não sei o modo como agiu
O Espírito eternal,
Que um dia a Cristo me atraiu
Em convicção real.

Não sei o que mal ou bem
É destinado a mim,
Se maus ou áureos dias vêm,
Até da vida ao fim.

Não sei se longe ainda está
Ou muito perto vem
A hora que Jesus virá
Na glória que ele tem.

Ainda que nos sintamos indignos, e não merecedores da graça real de Jesus, a cruz testifica: embora pecadores, Deus nos amou e comprou-nos de volta pela entrega total de Seu Filho amado na cruz do Calvário. Amor pelo qual devemos viver em união com Cristo, com a família, com o irmão e como Igreja restaurada, justificada e santificada pelo Senhor da grei. Amor pelo qual vivemos em novidade de vida, em esperança, confiança e paciência. Amor pelo qual suportamos, com orações, as perseguições, as injustiças, as mortes e as tribulações da vida inseridos neste mundo. Amor pelo qual "Diligentes fazendo o que Cristo ordenar. No labor, com fervor, a servir a Jesus; com firmeza e fé e com oração, até que volte o bom Senhor!", pois as nações pagãs gritam: "Queremos luz!" E por amor anunciaremos as novas de Jesus!
Perdoados sigamos no bom trabalho do Senhor e confiantes que o Seu glorioso dia virá!

Deus os abençoe, inspire e console.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mocidade Sempre e Avante




“... fui eu que os escolhi para que vão e deem fruto e que esse fruto não se perca.” João 15:16

No dia 11/09, na IPI de Presidente Altino, Osasco, SP, tivemos a grande alegria de reunirmo-nos como a mocidade do Sínodo de Osasco o qual é formado pelos Presbitérios: Osasco, Novo Osasco e Carapicuíba. Celebramos juntos os setenta e seis anos da União da Mocidade Presbiteriana Independente.
Com a união dos três presbitérios rememoramos os tempos do “grande presbitério” e desfrutamos de um tempo muito precioso no qual tivemos participações muito especiais, dentre as quais, destacamos a preletora, Ione Rodrigues Martins, Coordenadora Nacional de Adultos, a qual em sua homilia abordou a importância das escolhas fundamentada no Evangelho de João 15:16 com o qual destacou como essas interferem na nossa caminhada, na formação de nosso caráter. Deus nos escolheu, portanto, somos privilegiados por participar de sua abundante graça.
Como Igreja do Senhor reunida, nos louvores, demos graças pelos setenta e seis anos de história da UMPI (pioneira na organização, precedida pelas senhoras, varões, adolescentes e crianças) nos quais tivemos a participação do Grupo Shélter (juntos há dez anos) da 1ª IPI de Carapicuíba, o grupo de louvor da mesma igreja, e por fim, um grupo formado por jovens dos três presbitérios. E ainda, pudemos refletir sobre a salvação na cruz de Jesus Cristo por meio do esquete apresentado pela mocidade da IPI do Jardim Bonança.
Reunimo-nos com o intuito de glorificar ao Senhor e agradecê-lo por sustentar-nos por todos estes anos. E pedir que sejamos sempre a mocidade cujo desejo é de continuarmos avante a viver: a união, para a evangelização e a fraternidade, três palavras pelas quais a juventude em 1938 centralizou seu objetivo.
Oremos pela mocidade tão carente de orientação, de cuidado, de atenção, de apoio!

Mocidade Presbiteriana Independente sigamos sempre e avante!



Pela Coroa Real do Salvador

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Milagre em São Domingues

“...‘Ao Deus Desconhecido’. Pois esse Deus que vocês adoram sem conhecer é justamente aquele que eu estou anunciando a vocês.” Atos 17:23b

Das primeiras letras as quais aprendera Constância não nutria por elas amor, porquanto, pertencia a uma família de alto padrão social. Tinha uma vida vazia ainda que obtivesse tudo que desejava, seus pais realizavam todos os seus caprichos, todos os seus desejos... Era uma menina triste. Porém, sua vidinha, ao que parecia, rumava a uma abundância diferente: na escola em que estudava sua professora Clarice, a obedecer ao projeto social do planejamento escolar, organizou um encontro entre os alunos da escola com um estrato social distinto ao qual estavam habituados.
Eis que começa nossa história...
Viajaram alguns quilômetros até chegarem ao destino: um vilarejo humilde em que crianças como elas trabalhavam na lida. A professora conhecia com propriedade aquela rotina, pois trabalhara como qualquer criança daquele lugar, ou melhor, conhecia a todos que viviam naquele cenário. Nascera no vilarejo, e vivera sua infância lidando com a terra, alimentara os animais e ajudara sua mãe nos afazeres domésticos. Tivera uma vida simples.
Houvera um trabalho missionário dentro de um sítio não muito distante dali, todos conheciam o seu Zé, dono do sítio, em que Clarice todas as quartas-feiras visitava para ouvir os causos que narrava com toda sua simplicidade e encanto, foi atraída pelas suas histórias... Seu Zé era um homem simples, caboclo, semi-analfabeto, migrou do Ceará na década de sessenta, conquistara um pedaço de terra com muito suor de seu rosto. Gostava de contar suas histórias para as crianças da circunvizinhança. Um dia conheceu um jovem missionário, Artur, o qual era professor, e o convidou para uma prosa enquanto chupava mexericas colhidas do pé:
– Oli seu moço, sô um homi simples, contadô di história, mai num sei lê não, visse? Gosto di insina um poco da vida pras criança, conto meus causo e elas fica toda filiz...
– Seu José...
– Podi mim chama de Zé, seu Zé, tá bom?
– Sim, senhor! Pois então seu Zé, meu trabalho é ensinar crianças, alfabetizá-las através da Bíblia. Desde menino tive esse sonho, porque nasci em uma família rica que pôde me dar tudo que sempre quis: as melhores escolas, roupas, brinquedos... E eu de dentro do carro, enquanto ia para a escola, via crianças pedindo um trocado, vendendo alguma coisa, sendo exploradas por homens e mulheres... Senti que tinha que fazer alguma coisa, porque frequentava a igreja e via as famílias mais pobres se sentarem nos últimos bancos em trajes simples e sedentos das Palavras de Vida Eterna.... então quando iniciei a faculdade tive de romper com minha família, pois não aceitaram que eu fosse um missionário e vivesse humildemente. Muito tempo se passou desde a última vez que vi meus pais. Vivo pela misericórdia de Deus! – enquanto narrava um trecho de sua vida, as lágrimas molhavam o chão e a alma do seu Zé.
– U moço mim deixô sem palavra... qui ocê acha de insina as criança daqui? Eu imprestu meu sítio procê insina.
– Deus é bom, seu Zé!
– I num é?!
– Eu estava orando para encontrar um lugar em que pudesse ensinar e encontrei o senhor. Obrigada Senhor por responder as minhas preces!
– Ô seu Artu... num fique assim não, num chore, visse minino! Eu sô uma pessoa humilde, num sei iscrevê, mais posso oferecê minha casinha procê insina as criançada. O que ocê pricisa é só mi pidi, tá bom?
– Obrigada seu Zé, Deus o abençoe!
Assim começava a escolinha, na qual Clarice que acabara de completar quinze anos conheceu a Jesus e auxiliou ao seu mestre a aproximar-se de mais crianças. Com seu trabalho todos os pais daquelas crianças foram alcançados, apenas os pais de Clarice recusaram a ajudar e opuseram-se a ideia de Clarice participar do trabalho de alfabetização, pois achavam perda de tempo estudar. As bíblias, folhetos tudo que utilizou para salvar a vida daquelas crianças foram doadas pela Sociedade Bíblica que fornece literatura e bíblia para todo o mundo, além de suprir as necessidades de pessoas como Artur.
Clarice quando criança ensejava estudar mais, mais que os quatro meses os quais uma professora itinerante poderia ofertar. E Deus, em sua infinita graça, escolheu Artur para revelar-se a menina, para mostrar que a vida era mais que trabalhar para comer e seu sonho de estudar era possível. Ela via a alegria daqueles seus amiguinhos brilhar em seus olhos; pôde presenciar a transformação daquelas vidas pela Palavra Viva. E desejou naquele instante ser como Artur.
Era muito grata ao seu Zé, o contador de história, foi ele quem germinou em sua alma o desejo de aprender mais, de conhecer mais que aquelas histórias... quando leu pela primeira vez a história do menino Jesus, quis saber quem era o Messias e Artur explicava com muita paciência e amor:
– Clarice, Ele é o Salvador do mundo, morreu por nossos pecados em uma cruz!
– Entendi, mas do que somos salvos? O que é pecado?
– Uma pergunta complementa a outra... – respondeu Artur enquanto sentava-se em um dos bancos improvisados com blocos para a escolinha – somos todos pecadores, porque vivemos em um mundo que Satanás opera. Bem, deixe-me ser mais claro. Veja Clarice: quando um amiguinho seu pega uma mexerica do seu Zé sem pedir, o que ele faz é certo? Ou então quando um outro usa o estilingue para matar um passarinho pelo prazer de vê-lo cair no chão, é certo?
– Bem... o seu Zé naquelas histórias dele vive dizendo que a gente não deve machucar os bichinhos, que isso é coisa de gente malvada! É verdade isso não é certo! Mas as mixiricas... ele diz que a gente pode pegar quando quiser.
– Então entendeu o que eu quis dizer... o pecado é exatamente isso: fazer uma coisa que alguém desaprova! E Jesus com a sua vida nos ensina a amar as pessoas, a não querer o que é delas, a amar tudo que Deus criou e respeitar.
– Nossa como é bom esse Jesus... ele ensina coisas muito boas!
– E não é só isso... só podemos agir como ele orienta se estivermos dominados pelo seu Espírito, porque é Ele quem nos ensina todas as coisas boas que Deus quer que façamos.
– Espírito?
– É Espírito Santo, ele habita dentro de nós quando somos batizados, é a garantia da vida eterna.
– Ah então eu não tenho...
– Como assim? Quantos anos você tem?
– Oras quinze...
– E seus pais não a batizaram?
– Não...
– E você deseja ser batizada e conhecer Jesus em seu íntimo? – Artur estava muito feliz por conhecer alguém tão ávido como Clarice. Orava por ela desde a primeira vez que a vira.
– Sabe Artur... um dia, eu sonhei que estava dentro do rio e de repente vi alguém se aproximando, essa pessoa brilhava, brilhava tanto que eu não conseguia olhar em seus olhos e aí chegou bem pertinho de mim e me perguntou se eu queria ser batizada e ser uma mensageira. No sonho, eu aceitava e o homem derramava água sobre a minha cabeça e dizia que me batizava em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Tive esse sonho tantas vezes e todas as vezes acordava chorando, mas era de alegria, como se eu fosse outra pessoa, sabe?
– Clarice, você deseja experimentar de novo essa sensação? – Artur estava tão emocionado com a narrativa de Clarice, que suas palavras saíram descompassadas e envoltas de lágrimas de regozijo.
– Sim, sim, sim... – mil vezes sim, jubilava Clarice, numa explosão de uma tão felicidade que Artur jamais sonhara em presenciar.
Em seguida, os dois entraram no rio que ficava à margem do sítio do seu Zé e Artur a batizou em nome da Trindade, esse era seu primeiro batismo desde que chegara ao vilarejo São Domingues. O rosto de Clarice resplandecia a face do Senhor em toda a Sua glória! Depois do batismo sentaram-se na grama para secarem as roupas:
– Como está se sentindo?
– Molhada e muito feliz! Sinto que sou outra pessoa, a mesma coisa que senti depois de acordar daquele sonho, uma alegria e uma vontade de gritar.
– Pois então grite!
E Clarice gritou:
– OBRIGADA SENHOR, OBRIGADA SENHOR!!!
Artur aproveitou a oportunidade para presenteá-la com uma bíblia. Ela abraçava, chorava e beijava tanto aquele precioso livro que fez Artur lembrar-se de uma linda história:
– Você me fez lembrar de uma menina que recebeu em seus braços uma bíblia e como você a beijou, abraçou... essa história tem duzentos anos.
– Oras e como conhece? Qual o nome dela?
– Porque foi a partir dela que muitas pessoas como você ganharam a sua primeira bíblia. Mary Jones, uma menina que vivia no País de Gales um país bem distante daqui perto da Inglaterra. Quando tinha dez anos desejou muito ter uma bíblia, mas naquele tempo era muito difícil conseguir uma, principalmente, porque ela era muito pobre...
– Como eu? – indagava Clarice com os olhos atentos a cada movimento de Artur.
– Talvez mais pobre... era a única filha de uma família de cristãos, nenhum deles sabia ler, foi matriculada numa escola numa vila próxima a que morava e dedicou aos estudos como você, e tornou-se uma das primeiras alunas da classe, mas seu sonho de ter uma bíblia ainda era distante, trabalhava em tudo que surgia para conseguir dinheiro e economizava muito. Ao final de um ano, a quantia ainda era insuficiente. A espera da menina durou longos seis anos, até que foi à igreja que congregava e pediu uma bíblia ao pastor, mas ele disse que era impossível encontrar em sua vila, ou mesmo nas vilas da vizinhança um exemplar da bíblia, contudo lembrou que na cidade de Bala havia um pastor que costumava ter exemplares da bíblia para vender. Mas a cidade ficava a quarenta quilômetros de sua vila.
– E o que aconteceu?
– Mary não poderia desistir de seu sonho, então pediu para seus pais para ir até lá, no início, eles não concordaram, mas oraram e deixaram que a menina fosse. Para economizar os sapatos, a pequena galesa, fez o percurso a pé para não desgastar seu único par de sapatos. Andou o dia todo, chegou um momento que não aguentava mais e parou...
– Ai não acredito!
– Acalme-se Clarice... Ela não iria desistir depois de tanto tempo, então, levantou-se caminhou um pouco mais e avistou a cidade de Bala. Fico imaginando o que ela sentiu naquele momento...
– É verdade, deve ter ficado muito alegre...
– Quando chegou na casa do pastor... Thomas Charles, Mary foi surpreendida com a notícia que não havia mais nenhum exemplar em sua língua. A menina chorou tanto e narrou a sua história ao pastor, ele ficou muito comovido com a sua história... história que iria mudar o mundo... e aí lembrou que ainda havia dois exemplares encomendados e um deles era em sua língua e deu a menina. Ela só abriu sua bíblia quando chegou em casa para ler com os pais. Depois disso, o pastor Thomas contou a outros a história de Mary e todos se inspiraram e ali decidiram que isso não poderia mais acontecer, que todos deveriam ter acesso fácil à bíblia. E depois de muito orarem esses homens fundaram a Sociedade Bíblica Britânica em dezembro de 1802 com o intuito de traduzir, imprimir e distribuir a bíblia. E assim depois de muitos anos, de muitas mortes, a bíblia alcançou a todos e hoje é o livro mais lido em todo o mundo. E todos que a leem são transformados pelo poder que suas palavras têm.
– Que história linda Artur! Mas como assim mortes?
– Muitos homens tiveram esse mesmo sonho que todos tivessem acesso à palavra de Deus revelada, mas foram mortos, bíblias foram queimadas até que tivéssemos total acesso a ela; há muitos ainda em países distantes do nosso que as pessoas são proibidas de ter, ou mesmo, ler uma bíblia.
– Nossa... Eu quero fazer alguma coisa para levar a bíblia para outras pessoas como eu. O que eu posso fazer? Meu sonho é ser professora como você e fazer a mesma coisa que fez por mim e por meus amigos.

Depois dessa longa conversa, Clarice cresceu, estudou e formou-se professora e casou-se com Artur; juntos trabalharam com crianças como ela fora um dia: pobres e sedentas pela verdadeira sabedoria. Tempos depois, decidiram trabalhar na escola dos pais de Artur em que implantaram um projeto para que as crianças da alta sociedade conhecessem estratos sociais carentes e fossem transformadas pela experiência de aprender e servir a outras crianças.
Constância foi uma dessas meninas que transformadas, incitaram aos pais para investir em escolas rurais para que pessoas como Clarice tivessem a mesma oportunidade de conhecer as letras e a Jesus.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Esperança na Tribulação

“E mesmo que o nosso Deus não nos salve, o senhor pode ficar sabendo que não prestaremos culto ao seu deus, nem adoraremos a estátua de ouro que o senhor mandou fazer.” Daniel 3:18
No dia 07/08, na IPI do Jardim Bonança, em Osasco, reunimo-nos uma vez mais como UMPI do Presbitério Osasco. Participamos com alegria de um culto de ação de graças ao Senhor, nosso Deus.
Convidamos para preleção nosso irmão em Cristo Alberlei de Oliveira (que congrega na IPI em Bela Vista, Osasco, SP), correspondente da Missão Portas Abertas, o qual trouxe dois vídeos com os quais os presentes impactaram-se, pois traziam a realidade dos nossos irmãos perseguidos no Oriente, pelos quais temos de interceder para que sejam fortalecidos, para que não esqueçam que a presença santa do Senhor os animará e os ajudará a persistirem e perseverarem em sua fé.
O primeiro vídeo, intitulado “O Livro Perigoso”, narra dentre outras histórias, a de irmãos que tiveram seu primeiro contato com a Bíblia e com a leitura dessa se tornou perigosa para eles; um desses irmãos é Isaque, soldado na distante Eritreia, que fora transformado pelo poder das palavras do Senhor contidas nas Escrituras Sagradas, sua mudança foi tão perceptível que seu superior e colegas o torturaram para que assinasse um documento no qual se comprometeria a não orar, não ler a Bíblia e não se aproximar de nenhum cristão, obviamente recusou e foi torturado por mais de noves meses: apanhou, foi amarrado na posição de helicóptero por nove dias, trancado em contêiner com outros homens sem comida, água, agasalho para o frio; e, infelizmente, ainda está preso pelo crime de ser cristão e amar a Jesus. Conforme o vídeo, um irmão que o conhecera na prisão diz que Isaque é um herói, pois compartilha trechos, folhas de sua Bíblia com outros prisioneiros.
Há também um irmão na Tchecoslováquia que pregara por mais de vinte anos com apenas dez capítulos de Atos e quatro de I Timóteo redigidos a mão por sua mãe, ou seja, nunca tivera contato com uma Bíblia até que um missionário das Portas Abertas o presenteou com uma; sua reação foi abraçá-la e questionar: “que belos problemas essa bíblia lhe trouxe?”. Ela nos traz problemas?
O segundo vídeo apresentou o sofrimento dos nossos irmãos da Índia: casas de cristãos destruídas pelo fogo; houve uma cena em que uma multidão batia em três cristãos de tal forma que o cinegrafista não teve coragem de filmar o desfecho, pois eles morreram depois de pauladas, chutes, socos, pedradas...
Com essas histórias aprendemos a importância de servirmos uns aos outros, de sermos Igreja, sermos um em Cristo. Devemos aprender com nossos irmãos perseguidos a confiar mais em Deus e orar uns pelos outros, principalmente, pelos seus (e nossos) algozes para que venham a conhecer Jesus e tenham as suas vidas transformadas. E o mais importante: sofrer por eles, pois Paulo diz que quando um membro do corpo sofre, todo o corpo sofre com ele (I Co 12:26)! E se for possível investir financeiramente! Conheçam esse trabalho e participem de alguma forma: orem, doem, comprem os seus produtos, divulguem! Há muitos que ainda desconhecem essa realidade!
Fomos desafiados pelo irmão Alberlei a deixarmos Deus agir em nós, pois cantamos “eis-me aqui...” e ele questionou: “Isso é uma verdade? Estamos de fato aqui para servir, para amar uns aos outros?”. Não podemos viver apenas como cristãos dentro das quatro paredes da igreja, há tantos que precisam ouvir a boa notícia, conhecer a Jesus e a sua salvação! Ressaltou ainda: “mais que emoção, ou lágrimas, eles precisam de ação, precisamos agir!” “Portanto, usemos os nossos diferentes dons de acordo com a graça que Deus nos deu.” Romanos 12:6a
O intuito do encontro era revelar os talentos da igreja e ao final apenas o grupo de jovens da IPI do Jardim Bonança se apresentou com um louvor.
Depois do culto desfrutamos de um lanche, da companhia dos irmãos e tivemos uma surpresa: os irmãos da igreja anfitriã se uniram e ofertaram a uma jovem da igreja (que atualmente mora sozinha) alguns utensílios para sua casa. Todos ficaram emocionados e presenciaram o amor de Cristo a agir em todos.
Que não nos esqueçamos que somos embaixadores de Cristo! Não escondamos nossas candeias embaixo de nossas camas!


Pela Coroa Real do Salvador

Juliana de Araujo

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Multiforme graça de Jesus

“E oro para que vocês tenham raízes e alicerces no amor, para que assim, junto com todo o povo de Deus, vocês possam compreender o amor de Cristo em toda a sua largura, comprimento, altura e profundidade.” Efésios 3:17b-18
Vivemos pela graça de Deus, na qual encontramos, no texto bíblico, predicados vários: inaudita (I Co 2:9), inefável (II Co 9:15), multiforme (Ef 3:10, I Pe 4:10) , imarcescível (I Pe 1:4, 5:4), graça sobre graça (Jo 1:16), de Jesus (Rm 16:24, I Co 16:23, II Co 8:9, Gl 6:18, Fl 4:23), genuína (I Pe 5:12), boa notícia – ou evangelho –(At 20:24b); e por vivermos nessa graça experimentamos as bênçãos de sermos acolhidos como irmãos de Cristo e feitos, pelo seu sangue, um só povo; temos, entretanto, vivido de tal maneira?
No 31 de Julho, rememoramos o cisma pelo qual um ramo da Igreja de Cristo se dividiu, nem mesmo na criação do Universo, Deus viu que uma separação era boa! Tudo Deus criou e viu que, de fato, era bom, mas separar as águas (Gn 1:6-7) dividi-las...
Como parte da Igreja de Cristo, devemos arrazoar conosco mesmo e reconhecer se temos feito aquilo que é viver sob a graça: amar ao próximo mais que a nós mesmos? Amar a Deus e confiar em suas promessas? Estamos firmados na Rocha? Levamos as boas novas a todos que dela precisam? Oramos, intercedemos uns pelos outros? Alimentamos os famintos? Saciamos os sedentos? Aquecemos o coração e o espírito dos menos favorecidos? Condenamos o erro? Lutamos para que a justiça seja feita? Somos felizes por sermos perseguidos? Experimentamos a presença santa do Espírito do Senhor Jesus Cristo em nossas vidas? Deixamo-nos ser dominados e inspirados por Ele?
Tão-somente, no ministério do apóstolo Paulo, o grande plano do Senhor foi revelado: o mistério recôndito, na antiga aliança, o qual não fora revelado nem aos profetas, desvelado na cruz da vergonha do nosso Senhor Jesus, na qual se fez maldito por nós, porquanto em Paulo é que os gentios ouviram a boa nova: não há gentio, judeu, não há homem, mulher, não há escravo ou livre, todos: um só povo, membros de um só corpo, uma única nação! (Cl 3: 11)
Nós, como Igreja edificada e alicerçada em Cristo, vivemos e desfrutamos dessa realidade? Temos vivido nos moldes da Igreja Primitiva, na qual Cristo era tudo e em todos (Cl 3:11b), ou ainda, tudo era em todos e estes repartiam o pão, os bens, etc.?
O último e mais precioso mandamento de Cristo aos seus seguidores é o de anunciar a mensagem e sermos fiéis a ela! Todavia, para que essa missão seja executada necessitamos de uma verdadeira comunhão com Deus; há que se indagar: como posso fazer isso?
ü Ora ler as Escrituras Sagradas nas quais deparamo-nos com homens e mulheres de fé, os quais viveram sob o domínio do Maravilhoso Conselheiro e foram por Ele inspirados; viveram, lutaram e morreram, sim, há na história da Igreja muitos mártires, podemos citar um sem par de irmãos, eis alguns: José (Gn 37: 12-36), Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Dn 3:8-30), João Batista (Mc 6:14-29), Estevão (At 7:54-60), Paulo (At 21:17-23:35).

ü Oração essa é a arma do cristão em que realmente, desfrutamos da comunhão com Deus. Na antiga aliança, o povo, para conhecer a vontade do Senhor, orava, ou Ele respondia por meio de sonhos (Gn 20: 3-6, 40:8) de visões, pelo Urim e Tumim (Dt 33:8, I Sm 14:41, 28:5-6, Ne 7:65), ou ainda, pelos profetas (Nm 11:29, 12:6, II Rs 1:1-18). Para nós, contudo, Deus se revela através do Espírito Santo conforme o capítulo oitavo de Romanos, no qual Paulo diz que Ele pede a nosso favor de acordo com a vontade de Deus o Pai, “pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano.” (Rm 8:28)

ü E, finalmente, a comunhão entre os irmãos. Na cultura judaica, as mulheres, nas sinagogas, não podiam discutir sobre as questões da religião e mesmo nos primórdios da igreja, mas era uma questão cultural (I Tm 2:11-13, I Co 14:34-35); apenas os homens eram circuncidados (Gn 17:23) e podiam aprender sobre as leis e os costumes. No entanto, na nova aliança, a mulher pôde receber a mesma marca, a mesma circuncisão a qual apenas o homem era dotado, pois todos somos circuncidados no coração (Rm 2:29, Cl 2:11), no Espírito, e é, portanto, uma marca invisível, contudo real e perene. Fomos selados com o mesmo quinhão e devemos participar com alegria da comunhão dos santos, fomos, como outrora mencionado, feitos pela cruz de Jesus, um só povo, uma única nação. Recebemos diferentes dons e somos orientados a usá-los para a edificação do corpo, da Igreja (I Co 12, I Pe 4:10) para o seu crescimento e desenvolvimento, saibamos, porém, que a capacidade de trabalhar para essa edificação vem do próprio Deus (II Co 3:5-18). E para que todos se tornem amigos de Deus, pois esse é o Seu desejo (II Co 5:18b-21).

Viver sob a graça é permitir-se ser instrumento do Deus vivo, ser Templo consagrado para morada do Seu Espírito Santo; viver sob a graça é conhecer e “... compreender o amor de Cristo em toda a sua largura, comprimento, altura e profundidade. Sim, embora seja impossível conhecê-lo perfeitamente...” e viver, sobretudo, o amor.
Busquemos sempre a presença de Deus e conhecê-lo sempre e mais!
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